Presidente de cooperativa suspeita de desvio milionário sofreu atentado a tiros há cerca de um mês
Operação que investiga fraude com recursos da saúde tem cinco presos em Fortaleza O presidente da Cooperativa de Atendimento Pré & Hospital (Coaph), alvo de...
Operação que investiga fraude com recursos da saúde tem cinco presos em Fortaleza O presidente da Cooperativa de Atendimento Pré & Hospital (Coaph), alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (8), por suspeita de envolvimento em um esquema de desvios milionários em recursos públicos federais, foi vítima de um atentado a tiros no Ceará, há cerca de um mês. O médico Montezuma Feitosa Alexandrino teve o carro atingido por vários disparos quando trafegava em uma estrada na zona rural de Tauá, no interior do Estado, no dia 7 de setembro. Ele não chegou a se ferir, devido a blindagem do veículo. Os suspeitos do crime fugiram do local. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp À época, a Secretaria da Segurança informou que a tentativa de homicídio é investigada pela Polícia Civil. "Na ocasião, o veículo da vítima teria sido atingido por disparos de arma de fogo. A pessoa não foi atingida. A Polícia Civil segue com diligências em andamento, com o objetivo de identificar os responsáveis e esclarecer a ocorrência", disse a Secretaria da Segurança. LEIA TAMBÉM: Cooperativa de saúde alvo de operação da PF recebeu R$ 1 bilhão em recursos públicos; veja como funcionava suposto esquema criminoso De McLaren a relógios Patek Philippe: PF apreende bens de luxo em ação contra desvios de recursos milionários em cooperativa de saúde Médico teve relógios de luxo apreendido Presidente de cooperativa de saúde, o médico Montezuma Feitosa Alexandrino, sofreu um atentado a tiros em Tauá, no dia 7 de setembro. Instagram/ Reprodução Não há confirmação de que o ataque sofrido por Montezuma Feitosa no mês passado tenha ligação com os supostos desvios de dinheiro que está sendo investigado pela Polícia Federal. No entanto, o médico está entre os alvos dos 24 mandados de busca e apreensão da Operação Coaptação, cumpridos pela PF em Fortaleza, Caucaia, Eusébio e Tauá, no Ceará, e Campina Grande (PB). Na casa de Montezuma, em um condomínio de luxo no município de Aquiraz, a polícia apreendeu vários relógios de luxo. Um deles, da marca Patek Philippe, avaliado em cerca de R$ 3 milhões. A Polícia Federal ainda irá checar se o relógio é original da marca. Polícia Federal apreendeu diversos relógios de luxo, entre eles um avaliado em R$ 3 milhões, na casa do médico Montezuma Feitosa. Polícia Federal/ Divulgação Com o investigado, ainda foram encontrados outros modelos de luxo como Tag Heuer Carrera, MontBlanc e Vacheron Constantin. A ação também resultou na prisão de cinco pessoas, todas relacionadas à cooperativa presidida por Montezuma, com sede em Fortaleza. Conforme apuração do g1, um dos presos é o ex-presidente Coaph e atual tesoureiro, o médico José Newton Lacerda Carneiro. Segundo a Polícia Federal, os alvos da operação são suspeitos de praticar crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e fraude documental. Eles integravam um esquema suspeito de usar empresas de fachada e documentos falsos para desviar recursos oriundos de contratos públicos celebrados por entidades do setor da saúde. A decisão judicial também determinou o afastamento cautelar de cinco gestores de atividades gerenciais, financeiras ou de representação da principal entidade investigada, a Coaph, e demais entes. O g1 não localizou as defesas de José Newton Lacerda Carneiro e Montezuma Feitosa Alexandrino até a publicação desta matéria. Por meio de nota, a Coaph destacou que a operação não se restringiu à cooperativa, "abrangendo também outras empresas do setor da saúde que mantêm contratos com o poder público". A Cooperativa disse ainda que é necessário investigar, mas que também é necessário "preservar uma instituição que presta serviços essenciais à saúde". (Veja o posicionamento completo abaixo) Itens de luxo apreendidos De McLaren a relógios de luxo: PF apreendeu bens de luxo em ação contra desvios de recursos milionários em cooperativa de saúde, no Ceará Divulgação Na operação, além das prisões e das apreensões, a Justiça também autorizou o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos que seriam vinculados às pessoas investigadas. De acordo com a PF, as medidas de apreensão buscam assegurar eventual ressarcimento do dinheiro aos cofres públicos, além de eliminar ativos que podem ter sido comprados com recursos de origem ilícita. Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão está a revendedora de veículos Drive Car, de Fortaleza, que seria usada para lavagem de dinheiro do esquema. No estabelecimento, os agentes apreenderam veículos de luxo como uma McLaren Artura, cujo valor pode chegar a R$ 3 milhões; e um Chevrolet Corvette, que pode chegar a R$ 1 milhão. À esquerda, um McLaren Artura; à direita, um Chevrolet Corvette; ambos foram apreendidos em revendedora de veículos de Fortaleza Divulgação Vários outros veículos, com valores entre R$ 100 e R$ 600 mil, também foram apreendidos na revendedora de veículos. A TV Verdes Mares procurou a Drive Car para comentar a operação, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria. Ainda conforme apuração do g1, com outro alvo foram apreendidos mais relógios de luxo das marcas Rolex e Cartier. Os Rolex foram avaliados, cada um, em R$ 75 mil. Também foi apreendida uma pulsiera Cartier Love (na foto abaixo, no meio), avaliada em mais de R$ 50 mil Relógios e pulseira de luxos apreendidos com alvos da PF; relógio Patek Philippe, no canto à direita, é avaliado em R$ 3 milhões Divulgação Como funcionava o esquema Conforme a Polícia Federal, os envolvidos no esquema usavam empresas de fachada e documentos falsos para fechar contratos no setor de saúde com os municípios e desviar parte dos recursos, que tinham origem federal. No centro do esquema estaria a Coaph, cooperativa que possui vários contratos com prefeituras do Ceará. A Coaph, por seu estatuto de cooperativa, não poderia ter lucro. Por isso, os envolvidos forjavam empresas de fachada, que fechavam os contratos com os municípios e emitiam as notas fiscais, mesmo sem capacidade de prestar os serviços para as quais foram contratadas. Segundo apuração do g1, as investigações começaram após a prisão de um contador da Coaph, nas eleições de 2024, com uma elevada quantia em dinheiro. A partir disso, foram identificadas movimentações financeiras suspeitas envolvendo saques de dinheiro em valores elevados. Ainda conforme a PF, a principal empresa investigada recebeu mais de R$ 1 bilhão em recursos públicos de origem federal repassados, entre 2007 e 2025, tendo celebrado contratos com entes subnacionais (ligadas a estados ou municípios). A empresa em questão é a Coaph. A Coaph possui contratos de prestação de serviços para diversas unidades de saúde em várias prefeituras do Ceará, inclusive a de Fortaleza. A Polícia Federal, no entanto, não informou se os valores desviados provinham de uma prefeitura em específico. Confira a nota da Coaph na íntegra "Diante das notícias divulgadas nesta quinta-feira (8), sobre a operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), a COAPH vem a público prestar esclarecimentos. A operação não se restringe à COAPH, abrangendo também outras empresas do setor da saúde que mantêm contratos com o poder público. É importante lembrar que, em 2022, a cooperativa passou por fiscalização semelhante, posteriormente arquivada pelas autoridades competentes. Na ocasião, o procedimento foi encerrado sem que fossem identificados elementos que justificassem seu prosseguimento. A COAPH respeita o trabalho das autoridades e defende a rigorosa apuração dos fatos, observando-se o devido processo legal e a presunção de inocência. Investigar é necessário. Preservar uma instituição que presta serviços essenciais à saúde também é uma questão de responsabilidade. A prioridade da COAPH permanece sendo a segurança dos pacientes, a continuidade dos serviços de saúde e a responsabilidade com os colaboradores, cooperados e contratantes. Reforçamos que a instituição segue pautada pela legalidade, a transparência e a ética em todas as suas atividades. Novas informações institucionais serão divulgadas pelos canais oficiais, evitando que fatos sejam confirmados e juridicamente passíveis de divulgação." Foram cumpridos mandados nas cidades de Fortaleza/CE, Caucaia/CE, Eusébio/CE, Tauá/CE e Campina Grande/PB. Divulgação/PF Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: