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PF desvenda esquema de fraudes a licitações e a financiamento de campanhas envolvendo deputado federal do Ceará

Esquema envolvendo deputado federal Júnior Mano (PSB) e ex-prefeito Bebeto Queiroz (PSB) negociava emendas parlamentares, fraudes em licitações de prefeitura...

PF desvenda esquema de fraudes a licitações e a financiamento de campanhas envolvendo deputado federal do Ceará
PF desvenda esquema de fraudes a licitações e a financiamento de campanhas envolvendo deputado federal do Ceará (Foto: Reprodução)

Esquema envolvendo deputado federal Júnior Mano (PSB) e ex-prefeito Bebeto Queiroz (PSB) negociava emendas parlamentares, fraudes em licitações de prefeituras e financiamento ilegal de campanhas eleitorais no Ceará Reprodução Um relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no final de janeiro deste ano, revelou um suposto esquema de negociação de emendas parlamentares, fraudes a licitações de prefeituras e financiamentos ilegais de campanhas eleitorais no Ceará. O grupo criminoso seria liderado pelo ex-prefeito de Choró, Bebeto Queiroz (PSB), foragido há mais de um ano, e pelo deputado federal Júnior Mano (PSB), pré-candidato ao Senado pelo Ceará nas eleições deste ano. De acordo com o relatório da PF, Carlos Alberto Queiroz, o Bebeto, era o responsável por intermediar a destinação das emendas parlamentares do deputado Júnior Mano para prefeituras alinhadas ao grupo. O suspeito também negociava uma porcentagem da emenda que ficava com o grupo, uma “taxa” que variava entre 12 e 15% do recurso. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp As investigações apontam que Bebeto utilizava várias empresas, que tinham contratos com diversas prefeituras do interior do Ceará, para desviar recursos que eram utilizados tanto para enriquecimento ilícito quanto para financiar campanhas eleitorais de aliados, por meio de práticas como a compra de votos. Depois, as mesmas empresas conseguiam contratos nas prefeituras dos aliados eleitos. O relatório cita pelo menos dez empresas suspeitas de envolvimento no esquema. De acordo com análise de 2025 da Controladoria-Geral da União (CGU), nove dessas empresas envolvidas no esquema receberam de prefeituras cearenses cerca R$ 455,5 milhões entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025. Além do deputado e do ex-prefeito, a PF cita outras 10 pessoas suspeitas de envolvimento no esquema. Entre elas estão a irmã de Bebeto, Cleidiane Queiroz, que gerenciava o esquema; um assessor parlamentar de Júnior Mano, Adriano Almeida Bezerra; e o sócio-proprietário da MK Serviços, principal empresa do esquema, Maurício Gomes Coelho. (Veja a lista completa ao fim da matéria) A Polícia Federal afirma que os envolvidos cometeram crimes como: Organização criminosa com fins eleitorais Lavagem de dinheiro Falsidade ideológica eleitoral Captação ilícita de sufrágio Em julho de 2025, Júnior Mano foi alvo de uma operação da PF que investigava um esquema de fraudes em licitações no Ceará. Bebeto Queiroz foi preso em novembro de 2024, antes de tomar posse como prefeito de Choró, por suspeita de chefiar um esquema criminoso de fraudes em contratos. Porém, Bebeto foi solto após alguns dias e foi alvo de novo mandado de prisão - que ainda não foi cumprido, em quase um ano e meio. Por meio de nota, a assessoria jurídica do deputado Júnior Mano disse que a investigação da Polícia Federal "nada encontrou de relevante contra o deputado" e lamentou o "vazamento seletivo de informações sigilosas justamente num momento em que os partidos começam a definir as candidaturas para as eleições deste ano". A defesa de Bebeto Queiroz, que está foragido há mais de um ano, disse que somente iria se manifestar nos autos. Como funcionava o esquema De acordo com a Polícia Federal, o deputado Júnior Mano e o ex-prefeito Bebeto operavam o esquema de distribuição de emendas parlamentares com cobrança de retorno financeiro. A PF indica que a estrutura montada por Bebeto já existia antes da entrada de Júnior Mano. Com sua chegada, porém, o deputado passou a contribuir com recursos que ampliaram o alcance do esquema. “A partir da influência de Junior Mano na captação de emendas, o grupo de Bebeto direcionava os recursos para determinados municípios estratégicos, onde a alocação financeira serviria de base para a cooptação política de prefeitos e a posterior manipulação dos processos de contratação pública”, diz o relatório da PF, ao qual o g1 teve acesso. O esquema se retroalimentava: mais tarde, uma vez que os candidatos apoiados pelo grupo fossem eleitos, as empresas do esquema conseguiam contratos com as prefeituras dos aliados eleitos. As informações apresentadas no relatório foram colhidas a partir de operações da Polícia Federal, de relatórios de movimentação financeira e da análise de aparelhos celulares dos suspeitos. O grupo ficava com parte do dinheiro das emendas, valor que variava entre 12 e 15% do recurso. Além disso, o caixa das empresas envolvidas era utilizado para movimentações financeiras expressivas, com o envio de milhares de reais tanto por transações via Pix quanto no saque de dinheiro vivo. Bebeto Queiroz e Júnior Mano são acusados de chefiar grupo criminoso envolvido em fraudes e compra de votos no Ceará Reprodução Nas conversas, Bebeto constantemente orienta os supostos proprietários das empresas sobre valores que eles devem enviar para políticos aliados. Os operadores enviavam os valores e depois compartilhavam os comprovantes com Bebeto. Em outras conversas, Bebeto negocia a compra de votos nas eleições de 2024 por valores entre R$ 200 e R$ 500. O político frequentemente citava estar realizando determinada atividade a pedido ou em favor de Júnior Mano, inclusive visitava gestores apoiados pelo grupo ou realizava transferências de dinheiro a pessoas indicadas pelo parlamentar. Também foram encontradas conversas nas quais o político contata um assessor de Júnior Mano, identificado como Adriano Bezerra Almeida, para que ele pressione funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF) a processaram com rapidez o pagamento das emendas. Extensão do esquema Os investigadores encontraram uma lista com pelo menos 71 prefeituras do Ceará que estariam vinculadas ao deputado. Destas, os candidatos apoiados pelo grupo teriam sido eleitos em aproximadamente 50 cidades. Não está claro se eles receberam dinheiro do esquema. O próprio Bebeto concorreu e foi eleito prefeito de Choró em 2024, mas foi preso em novembro daquele ano, antes da posse. Ele foi solto em dezembro, após dez dias na cadeia, e fugiu logo depois. Ele está foragido desde então. Bebeto Queiroz, prefeito eleito de Choró, se entrega à Polícia em Fortaleza. Redes sociais/Reprodução A investigação aponta que o município de Choró, a base política de Bebeto, era o centro das operações do político. No entanto, sua atuação se estendia para dezenas municípios e envolvia diversas empresas. O relatório cita pelo menos dez empresas suspeitas de envolvimento no esquema, que movimentaram mais de R$ 455 milhões entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025. São elas: PGL Serviços, Locações e Construções Edmar Pereira da Silva Cariri Edificações, Serviços e Conduções EIRELI, CNPJ 39.420.606/0001-11 MK Serviços, Construções e Transporte Escolar, CNPJ 35.864.328/0001-30 E A Roque Dinâmica Transporte Escolar e Serviços de Locação Y T Construções BR Construções de Edifícios Transporte e Serviços Empresa LR Serviços e Construções Loca X A empresa do grupo com o maior número de contratos e movimentações é MK Serviços. Sozinha, ela movimentou mais de R$ 318 milhões. Ela era controlada por Maurício Gomes Coelho, que figura como operador financeiro central do esquema. Antes de liderar a empresa, ele era empregado como vigilante. Conforme a PF, Maurício "acatava imediatamente as ordens de Bebeto, confirmando sua posição subordinada". As contas da empresa eram usadas, inclusive, para pagar despesas pessoais de Bebeto. Entre os municípios com o maior volume de verbas pagas à MK Serviços estão: Pacajus: R$ 37,3 milhões Canindé: R$ 33,8 milhões Aquiraz: R$ 24,2 milhões Quiterianópolis: R$ 22 milhões Itapajé: R$ 16,8 milhões Russas: R$ 15,9 milhões São Gonçalo do Amarante: R$ 14,7 milhões Ibicuitinga: R$ 14 milhões Nova Russas: R$ 11,5 milhões Essas prefeituras e agentes públicos dessas cidades não aparecem, no relatório final da PF, como investigados. Porém, as cidades fizeram as maiores remessas à empresa MK Serviços. Nova Russas, município que aparece entre aquelas com o maior volume de contratos com a MK Empreendimentos, é cidade natal de Júnior Mano e sua base política. Atualmente, a esposa do deputado, Giordanna Mano, é a prefeita do local. Segundo a PF, esse modelo de receber recursos de emendas e de empresas que mais tarde conseguiriam contratos e repassariam lucros para os aliados se elegeram configura “um esquema de perpetuação do poder, em que o financiamento ilícito garantiria a vitória de candidatos aliados e, em contrapartida, o direcionamento de contratos para empresas vinculadas ao grupo”. Quem é quem no esquema, segundo a PF ➡️Carlos Alberto Queiroz Pereira – “Bebeto Queiroz" Apontado como líder máximo da organização criminosa; Controlador de fato de empresas envolvidas no esquema; Articulava os esquemas de fraudes de licitações e desvio de verba; Negociador de apoio político e financiamento de campanhas. O que diz a defesa: A defesa do Senhor Carlos Alberto esclarece que todas as manifestações são apresentadas exclusivamente nos procedimentos respectivos, foro adequado para o debate das questões em análise. ➡️Deputado federal Júnior Mano Apontado como líder político e patrocinador institucional do esquema; Articulava emendas parlamentares; Patrocinava a compra de votos (como financiador e articulador). O que diz a defesa: Depois de um ano de uma ruidosa investigação,  a Polícia Federal nada encontrou de relevante contra o deputado Júnior Mano. As conclusões do relatório final são exageradas, genéricas e sem provas. Júnior Mano não é ordenador de despesas, não participou de licitações e, portanto,  não tem como controlar a aplicação final de recursos federais. O deputado reafirma, com firmeza, que não cometeu qualquer irregularidade. É lamentável o vazamento seletivo de informações sigilosas justamente num momento em que os partidos começam a definir as candidaturas para as eleições deste ano. Esperamos que o inquérito aberto pela PF para apurar o vazamento de dados protegidos por sigilo apresente uma resposta clara contra o uso de informações processuais com fins políticos. ➡️Cleidiane de Queiroz Pereira Irmã de Bebeto, é apontada como braço direito e gestora operacional do esquema; Controle de planilhas de caixa dois, intermediação de pagamentos, organização logística da campanha. A defesa não foi localizada. ➡️Maurício Gomes Coelho Apontado como operador financeiro central do esquema; Sócio-proprietário da MK Serviços, apontada como a principal empresa envolvida no esquema; Repassava valores para campanhas e organizava outras transferências mediante ordens de Bebeto. A defesa não foi localizada. ➡️Adriano Almeida Bezerra Assessor parlamentar de Júnior Mano; Exercia função de intermediar, junto a funcionários da Caixa Econômica Federal, a liberação de recursos vinculados ao esquema do grupo; Negociava a porcentagem dos recursos que ficaria com o grupo. A defesa não foi localizada. ➡️Iago Viana Nascimento Controlador da empresa Colinas Construções, posteriormente renomeada para SFC Serviços; Integrava o núcleo empresarial responsável pela sustentação financeira do grupo criminoso; Atuava no financiamento de campanhas eleitorais de aliados do grupo. A defesa não foi localizada. ➡️Carlos Douglas Almeida Leandro Vinculado à empresa Cariri Edificações, é apontado como operador empresarial do esquema, envolvida na fraude de contratos; Emitia notas frias e negociava valores; É cunhado de Iago Viana (dono da SFC Serviços). A defesa não foi localizada. ➡️Iago Mariano Pedrosa Santana Responsável por atender pedidos de Bebeto relacionados ao pagamento de radialistas e influenciadores. A defesa não foi localizada. ➡️Lúcio Alves Barroso - "Lúcio Baixio" Vinculado à empresa Rapi Transportes, que integrou a mesma rede de movimentações atípicas das demais empresas investigadas; Integrante da rede de movimentações financeiras que sustentava o esquema criminoso e no financiamento de campanhas. A defesa não foi localizada. ➡️Maria Aurilene Martins Pinheiro Mãe de um dos filhos de Bebeto e gestora da empresa AM Transportes Locações, que funcionava como plataforma financeira; Operacionalizava transferências bancárias oriundas da empresa para irrigar despesas eleitorais a mando de Bebeto. A defesa não foi localizada. ➡️Alan Deybson Paulino Bezerra Integrante do círculo de confiança de Bebeto, exercia funções de apoio pessoal e logística; Fazia entregas de dinheiro vivo. A defesa não foi localizada. ➡️Carlos Dyogo Queiroz Moura Sobrinho de Bebeto, atuava como executor de pagamentos determinados pelo tio. A defesa não foi localizada. ➡️Bruno Nascimento dos Santos Motorista de Bebeto, emprestava sua conta bancária para movimentações financeiras do político; Participava do esquema de compra de votos a partir de valores recebidos de Bebeto. A defesa não foi localizada. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará

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